quinta-feira, 22 de julho de 2010

4a. aula: Processos sociais: cooperação e competição

Almir Sandro Rodrigues


 

"Brejo da Cruz"

 

A novidade

Que tem no Brejo da Cruz

É a criançada

Se alimentar de luz


 

Alucinados

Meninos ficam azuis

E desencarnando

Lá no Brejo da Cruz


 

Eletrizados

Cruzam os céus do Brasil

Na rodoviária

Assumem formas mil


 

Uns vendem fumo

Tem uns que viram Jesus

Muito sanfoneiro

Cego tocando blues


 

Uns têm saudade

E dançam maracatus

Uns atiram pedra

Outros passeiam nus

Mas há milhões desses seres

Que se disfarçam tão bem

Que ninguém pergunta

De onde essa gente vem


 

São jardineiros

Guardas-noturnos, casais

São passageiros

Bombeiros e babás


 

Já nem se lembram

Que existe um Brejo da Cruz

Que eram crianças

E que comiam luz


 

São faxineiros

Balançam nas construções

São bilheteiras

Baleiros e garçons


 

Já nem lembram

Que existe um Brejo da Cruz

Que eram crianças

E que comiam luz


 

Apresentação:

Estaremos nessa aula 4 com o objetivo de possibilitar aos educandos e às educandas a compreensão dos processos sociais de cooperação e competição.

Os processos sociais caracterizam-se por gerar mudanças, transformações nos indivíduos e nas relações sociais.

É fundamental compreendermos como os processos de cooperação são estabelecidos na sociedade, apresentando possibilidades de relações mais solidárias a partir das ações cooperativas.

Por outro lado, na contramão da cooperação, os processos de competição salientam as relações individualistas, próprias da sociedade capitalista. Estas relações de competição podem levar, se acirradas, aos processos de conflito social.

Buscando sempre coletivamente construirmos nossos conhecimentos, é importante sempre valorizarmos os processos de cooperação – processos mais solidários!

Vamos lá!

 

Índice:

Ementa    2

Objetivo Geral    2

Objetivos Específicos    2

1. Impulso inicial: caracterizando os processos sociais    2

2. Processos sociais: mudanças dos atores sociais    3

3. Cooperação e Competição: processos sociais antagônicos    4

4. A realidade em foco    6

Preparando a próxima aula    7

Referências Bibliográficas    7


 


 

Ementa

Estaremos abordando ao longo desta aula os seguintes conteúdos: caracterização dos processos sociais. Mudanças na personalidade dos atores sociais – característica dos processos sociais. Processos sociais associativos e dissociativos. Cooperação e os tipos de cooperação. Competição e suas formas. Como se efetivam os processos de cooperação e competição na sociedade brasileira.


 

Objetivo Geral

Possibilitar aos educandos e às educandas a compreensão dos processos sociais de cooperação e competição.


 

Objetivos Específicos

  • Permitir aos(às) educandos(as) conhecer o conceito de processo social nas relações sociais de interação.
  • Construir com os(as) educandos(as) o conceito de cooperação.
  • Construir com os(as) educandos (as) o conceito de competição.
  • Trabalhar com os(as) educandos(as) as possibilidades de cooperação e competição na realidade brasileira.


 


 


 


 

1. Impulso inicial: caracterizando os processos sociais

Nessa aula 4 estaremos trabalhando com o tema "processo sociais: cooperação, competição e conflito". Pedimos no final da aula passada que desenvolvessem as seguintes questões:


 

  1. Recorte de jornais e revistas exemplos de diferentes tipos de processos sociais.
  2. Faça um mapeamento dos processos de cooperação que você conhece? Quais existem em sua região? Descreva-os.
  3. Faça um mapeamento dos processos de competição que você conhece? Quais existem em sua região? Descreva-os.


 

Faça uma exposição do seu trabalho, organizando um painel com os recortes de jornais e/ou revistas. Identifique o tipo de processo social representado na imagem.


 

Depois, observe os trabalhos de seus colegas de turma. Faça um texto-síntese sobre a importância dos processos sociais e como eles estão organizados em nossa sociedade.


 


 


 


 


 

 

O processo social mais importante é a interação. Todos os processos sociais são diferentes tipos de interação. Por isto, a interação é o processo social geral. A interação é o processo de influência recíproca ou unilateral entre dois ou mais agentes sociais – indivíduos, grupos, agregados etc. –, contribuindo para aproximá-los ou afastá-los uns dos outros.


 

Os alunos de uma escola resolvem fazer um trabalho de pesquisa em grupo, a pedido dos professor. Organizam-se, um ajuda o outro, e logo o trabalho está acabado. Esse resultado foi possível e mais facilitado porque houve cooperação. A cooperação é um tipo de processo social.


 

Processo é o nome que se dá à contínua mudança de alguma coisa numa direção definida. Processo social indica interação social, movimento, mudança. Os processos sociais são as diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros, a forma como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais.


 

Qualquer mudança proveniente dos contatos e da interação social entre os membros de uma sociedade constitui, portanto, um processo social


 

2.1- Tipos de processos sociais:

No grupo social ou na sociedade como um todo, os indivíduos e os grupos se reúnem e se separam, associam-se e dissociam-se. Assim, os processos sociais podem ser associativos (de aproximação) e dissociativos (de afastamento).


 

Os principais processo sociais associativos são: cooperação, acomodação e assimilação.

Os principais processo sociais dissociativos são: competição e conflito.


 

Resumindo:


 

  • PROCESSOS SOCIAIS:
    I.) Associativos: a.) cooperação;

                      b.) acomodação;

                     c.) assimilação.


 

                  II.) Dissociativos: a.) competição;

                     b.) conflito.


 

Processos associativos (de aproximação): os que diminuem a distância social, como os processos de cooperação, assimilação e outros.

Processo dissociativos (de afastamento): são os que aumentam a distância social, como as guerras, os conflitos raciais e outros.


 

Estaremos nessa aula e na próxima aula (aula 8) estudando estes processos associativos e dissociativos. Não vamos seguir a ordem colocada acima, pois nem sempre eles ocorrem nesta sequência. Pelo contrário, alguns processos sociais só ocorrem quando existe o fracasso de outro, como por exemplo, a assimilação ocorre geralmente quando outro processo fracassa, como o conflito – dessa maneira estaremos estudando por último o processo de assimilação.


 

"Alguns autores encaram os processos sociais como se as relações que ela supõem, tivessem um encadeamento direto e irreversível. Assim a competição geraria conflitos, os quais seriam resolvidos através de processos de acomodação, que resultariam na assimilação e assim por diante. As formas de relação são, todavia, lábeis e reversíveis"


 

Para refletir:

  1. Qual a importância dos processos sociais? Exemplifique.
  2. Dê um exemplo de processo associativo e outro de processo dissociativo.


 


 

3. Cooperação e Competição: processos sociais antagônicos

Dois processos sociais fundamentais, resultantes da interação social, são a cooperação e a competição.


 

3.1- Cooperação: solidariedade social:

Para viver em sociedade, os homens se organizam de tal modo que, embora sejam unidades biopsíquicas, formam unidades maiores: os grupos, as comunidades, as sociedades. Para se organizarem, os homens cooperam entre si. Chamamos de cooperação a união de esforços ou auxílio mútuo para a realização de objetivos comuns.


 

A cooperação é a forma de interação social na qual diferentes pessoas, grupos ou comunidades trabalham juntos para um mesmo fim.


 

Cooperação significa atuação, ação em comum, em harmonia. Entende-se por cooperação desde o auxílio mútuo para realizar os trabalhos mais simples, como remover uma pilha de tijolos ou arrancar o mato do jardim, até a união de esforços, de alta complexidade, exigindo especialização e consequente divisão do trabalho para governar um Estado (através do trabalho em conselhos ou de orçamento participativo podem ser cooperativos), elaborar um plano de trabalho para uma grande empresa (processo de auto-gestão) ou mesmo organizar uma cooperativa habitacional ou outros.


 

A cooperação pode ser direta e indireta.


 

  • Cooperação direta: Compreende as atividades que as pessoas realizam, como é o caso dos mutirões para a construção de casas populares.
  • Cooperação indireta: É aquela em que as pessoas, mesmo realizando trabalhas diferentes, necessitam indiretamente umas das outras, por não serem auto-suficientes. Tomemos o exemplo de um médico e de um lavrador, o médico não pode viver sem o alimento produzido pelo lavrador, e este pode necessitar do médico quando fica doente.


 

A cooperação, também, pode ser temporária e contínua.


 

  • Cooperação temporária: os indivíduos se reúnem para a execução de uma tarefa durante um período determinado. Exemplo: fazer uma lição em grupo, em conjunto.
  • Cooperação contínua: quando ocorre entre indivíduos ou grupo que, fixados em determinado local, necessitam sempre da colaboração uns dos outros. Exemplo: controle da poluição.


 

São numerosos e complexos os interesses que levam os indivíduos e os grupos à cooperação. Pode ser a obtenção de algum bem material, interesses pessoais ou grupais, lealdade ao grupo e seus ideais, temor às pressões ou ataques de outros grupos, ou a própria necessidade estrutural, decorrente da mútua interdependência em virtude das funções especializadas. Resumindo, podemos dizer que a cooperação é a solidariedade social em ação.


 

3.2- Competição: luta pela existência:

A competição, em seu sentido lato, significa luta pela existência. Não só o ser humano, mas todos os seres vivos, animais e plantas competem. As plantas se excluem umas às outras, competindo pela umidade e luz do sol. As mais vigorosas sobrevivem, enquanto as menos vigorosas ou incapazes de se adaptarem às mudanças de condições, morrem e desaparecem. Os animais mantêm-se vivos somente pela destruição de plantas e de outros animais. O próprio ser humano pode viver somente à custa da vida das plantas e de animais e, além disso, compete socialmente pela sobrevivência. (Busque maiores conhecimentos sobre cadeia e teia alimentar).


 

Essa competição em que se acham empenhados todos os seres humanos, essa "luta pela existência", é a competição ecológica. Podemos definir competição, num sentido mais amplo, como uma luta por coisas concretas: sobrevivência pelos bens, por melhores ocupações – pois, além da competição ecológica, o ser humano conhece a competição econômica, a política, a cultural, a social.


 

A competição pode levar indivíduos a agirem uns contra os outros em busca de uma melhor situação. Ela nasce dos mais variados desejos humanos, como ocupar uma posição social mais elevada, ter maior importância no grupo social, alcançar riqueza e poder.


 

Como nem todos podem obter os melhores lugares nas esferas sociais – os postos são em número muito menor que seus pretendentes –, muitas pessoas se sentem prejudicadas por não conseguirem atingir seus objetivos (esta idéia é reforçada na sociedade capitalista que vivemos). Algumas experimentam a sensação de fracasso, a frustração, muito mais intensamente que outras. Há indivíduos que, a partir dessa frustração, chegam a desenvolver um grande sentimento de inferioridade. E esse sentimento tanto pode levar o indivíduo a reagir, tentando superar suas dificuldades para buscar novas oportunidades, como levá-lo à depressão e ao desânimo.


 

"As sociedades contemporâneas – principalmente os países capitalistas – estimulam os indivíduos a competir em todas as suas atividades: na escola, no trabalho e até no lazer.

O comerciante que procura conquistar os fregueses de outro comerciante e os estudantes que lutam por uma vaga no vestibular estão igualmente envolvidos numa relação de competição.

Há sociedades que estimulam mais a competição que outras. Entre os povos indígenas, por exemplo, as relações não são tão acentuadamente competitivas como em nossa sociedade."


 

Muitos autores reconhecem existir, frequentemente, entre os competidores, uma rivalidade definida. Por exemplo, o aluno que se bate pelo primeiro lugar quer suplantar colegas seus perfeitamente conhecidos. O mesmo se dá com o desafiante que pretende tomar o lugar do campeão, ou o negociante ansioso por ostentar maior riqueza que um concorrente. Em política, ou na luta por colocações e postos administrativos, não é nada fácil delimitar onde acaba a competição e onde começa o conflito. Estas observações justificam a seguinte tese: entre a natureza da competição e a do conflito há apenas uma diferença essencial – a primeira não é necessariamente pessoal e não implica necessariamente hostilidade, como acontece ao conflito (tema da aula 8).


 


 

Para finalizar:

Vamos construir um quadro comparativo com as características da cooperação e competição:


 


 


 

  • Quadro comparativo:

* Elementos 

Cooperação 

Competição 

a. Conceito  


 

 

b. Objetivos 


 

 

c. Tipos  


 

 

d. Exemplo 1

(na sua família) 

  

e. Exemplo 2

(na sua comunidade) 

  

f. Exemplo 3

(em seu município) 

  


 


 

4. A realidade em foco

Vamos analisar o texto da editado na revista VEJA, de 21 de julho de 1999, elaborado por Cintia Valentini:


 

"Eles sobraram: Modernização reduz chances para 36 milhões de trabalhadores com pouca escolaridade":

"Os números do IBGE, principal órgão de pesquisas do país, mostraram um retrato dramático da realidade do trabalhador brasileiro. Segundo esse instituto, 36 milhões de brasileiros em idade de trabalhar têm só o ensino fundamental completo ou nem isso. Essa população equivale quase à metade de toda a força de trabalho do país e coloca para a sociedade um enorme problema.

Para garantir a sobrevivência, muitos deles ainda conseguem emprego na economia informal com algum êxito. Para os outros, o horizonte é desolador. Isso porque as empresas, com a modernização, já não precisam tanto de força física, que é o que ele têm a oferecer, pois não receberam educação formal.

O rosto dessa gente apareceu quando o governo de São Paulo abriu inscrições para as chamadas frentes de trabalho. A idéia era selecionar 50.000 pessoas para cumprir um contrato de seis meses, recebendo salário mensal de 150 reais, cesta básica e seguro de acidentes pessoais. Exigências: ter acima de 16 anos de idade e estar desempregado há mais de um ano.

Uma multidão de 460.000 pessoas lotou os locais de inscrição. Foram selecionados apenas os chefes de famílias numerosas, os mais velhos e aqueles que estavam mais tempo na fila do desemprego. A primeira leva, de 250 pessoas, já está trabalhando na limpeza de trilhos de trem na região metropolitana de São Paulo. Os outros vão cuidar do zoológico, de parques e da jardinagem de praças. Programa semelhante, organizado pela prefeitura de São Paulo, atraiu mais 50.000 pessoas.

Na frente de trabalho, os contratados terão chance de assistir a palestras e fazer um curso profissional (existem quarenta opções, que vão de pedreiro a babá).

Quando a economia brasileira voltar a crescer, a massa de desempregador por falta de qualificação profissional poderá trabalhar na restauração de estradas. Viadutos e ruas esburacadas. O problema é saber por quanto tempo essas pessoas poderão sobreviver à custa desses serviços. E o desafio para o país permanece: evitar que continue crescendo a população de subtrabalhadores."


 

Agora, após a leitura do texto:

  1. Faça um levantamento nos jornais locais (de sua região ou município) outros casos de competição entre pessoas, como é o caso apresentado no texto – desempregados a busca de trabalho muitas vezes entram em processo de competição com outros desempregados.
  2. "Imaginar 50.000 vagas de empregos oferecidos a baixo salário e com pequenos benefícios sendo disputadas por 460.000 desempregados ajuda a pensar no sentimento de competição que pode se instalar num grupo". Comente esta afirmação!


 

Preparando a próxima aula

Na aula 5 (próxima aula) estaremos trabalhando com o tema "processo sociais: conflito, acomodação e assimilação". Assim sendo, pedimos que:

  1. Escreva um texto destacando os motivos pelo qual as pessoas (ou grupos) entram em conflito com outras (ou outros grupos).
  2. Levante suas dúvidas ou questões sobre o conteúdo do material dessa aula 4, para na próxima aula podermos esclarecer.


 


 

Referências Bibliográficas


 

  1. LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral, 6ª ed., São Paulo, Editora Atlas, 1990.


 

  1. VILA NOVA, Sebastião. Introdução à sociologia, 3ª edição, São Paulo, Editora Atlas, 1995.


 

  1. CHARON, Joel M. Sociologia, tradução de Laura Teixeira Motta, São Paulo, Editora Saraiva, 2000.


 

  1. OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à sociologia, 24a. edição, São Paulo, Editora Ática, 2001.


 

  1. DELLA TORRE, M. B. L. O homem e a sociedade: uma introdução à sociologia, 14a. edição, São Paulo, Editora Nacional, 1986.


 

  1. VALENTINI, Cintia. Eles sobraram: Modernização reduz chances para 36 milhões de trabalhadores com pouca escolaridade, (In: Revista VEJA, 21/07/1999).


 


 

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